quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Devaneio

vejo
neste devaneio
o adejar suave de gaivotas
que fazem a praia mais leve
do que jamais eu conseguira ser
e eu tolho-me
nas dunas
como se docemente
tropeçasse
nos teus seios
contornasse exausto
as tuas ancas
e faminto
e sedento
ansiasse pelo navegar
num mar de tranquilidade
oceano sereno
onde a maresia
se cruza com beijos
e abraços
e tudo é feito de tudo
como os ingénuos poemas
que escrevemos pela noite
ávidos da doçura da pele
......................................


S.O.

G20

Não chegavam os G7, os G8, agora poluem a cabeça da gente com os G20...

À primeira vista isto faz-me lembrar as condutâncias em electricidade... rs.

Com efeito, condutância é definido como o inverso da resistência, ou seja, enquanto resistência é oposição à passagem da corrente eléctrica, a condutância é o contrário e exprime-se em Siemen que é o contrário do Ohm.

Hum... mas G20 então seria relativo a um grande circuito onde estariam presentes pelo menos 20 condutâncias, assim designadas dessa maneira, algo não muito comum num país em que há juizes que não sabem fazer contas e médicos que receitam comprimidos a menos. Digo deste país que é onde tenho ouvido tanto lixo acerca dos G20...

Entretanto já me foi dado ver o Sarkozy, mais o porco do Barroso, a opinarem sobre o evento, donde se poderá com certeza concluir que isto dos G20 não será de gente honesta e séria.

Um jornalista andava pelas ruas de Londres a fazer cócegas à opinião pública. Perguntou a uma mulher jovem e morena o que ela achava dos G20. Ela respondeu: "Quer mesmo saber o que eu acho disso? Quer?... o que eu acho é que se tivesse uma arma atirava nesses políticos todos!... Pronto, aí está o que eu penso do assunto"... e foi-se embora com ares de quem tem mais que fazer. E isso deixou-me a pensar em G3...

G3 será portanto a terceira condutância num circuito que tem 3 ou mais condutâncias...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Harmoniosa Mistura de Sons Azuis

Harmoniosa Mistura de Sons Azuis 

Sabes… tenho pedaços de lua no bolso
E tenho mais segredos que por ora não tos conto
Podias olhar-me de forma estranha… não me compreenderes…
Um dia, prometo, hei-de guardar um raio de sol para ti!...

Anda, vem amiga, vem fundir-te com a terra
Contemplar o firmamento, as estrelas, o infinito…
Sentirás o planeta como nave na noite
Rumo às estrelas

Ou então… brincaremos com um ou dois pedaços de lua,
É preciso poupar…
Faremos o culto do olhar, como à luz dos pirilampos
Níveo será teu rosto e brilhante o teu olhar
Um brilho pouco iluminado, é certo
Mas o apropriado para se ver a alma
Que é adversa às ilusões clarificadas pelo dia

E depois, que podes esperar mais de mim
Se contigo compartilho o meu espírito?...
Tudo o resto é menor e podes considerar teu
Desde o peso da palavra, latina e gasta
Até ao meu corpo permeável à doença e ao tempo

Que sons ondulantes e suaves se aproximam?
Sim… é claramente, o luar… de Debussy
Sinto por fim plenamente esta peça
Esta harmoniosa mistura de sons, de todos os sons
Conjugando-se numa deliciosa e azulada amálgama
De flores… e sons…

S.O.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Espírito de Wabi e Sabi no Chá

No dicionário de Jaime Coelho, o autor apresenta a seguinte tradução para Wabi e Sabi:

wabi2, o gosto refinado da simplicidade. Sin. Kanjákú. vd. sabi
sabi2, 1 A pátina. Loc. ~ ga tsuku, Ganhar (ficar com) pátina.
2 O que foi formado (amadurecido/embelezado) pelo tempo. Loc. ~ no aru koe, A voz forte (bem formada). 3 A simplicidade elegante (beleza clássica/amadurecida) «do "haikai" de Bashô». vd. wabi
Como se pode constatar, o próprio autor remete o leitor de um termo para outro, reciprocamente.
Como que podemos dizer que Wabi começa onde termina o Sabi e vice-versa. E esta reciprocidade, integradora, esta dialéctica harmoniosa, de prática e sentimento da serenidade e do contentamento com as coisas simples, é muito típica das artes nipónicas.
Esto gosto pela contemplação das belezas simples é essencial na Arte do Chá e consequentemente no Cha-no-Yu... mas pode igualmente ser observado no Ikebana, nas artes marciais, no Tiro Zen, entre outros.
Para muitas pessoas, enquanto observadores do exterior, o cerimonial do Chá parece relativamente simples de concretizar com perfeição. Uma vez iniciados na prática constatam que, pelo contrário, a perfeição não é nada fácil... e afigura-se até impossível. Questionam, por vezes, se vale a pena continuar, perante a dificuldade ou "falta de jeito"... É então o momento adequado para meditar sobre o que é mais importante nesta arte, nomeadamente wabi, sabi e kokoro/kimochi (sentimento)... o coração (kokoro) deve preceder a técnica (jutsu).

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O manuseamento do Fukusa

Fukusa para homem


Muito mais que um lenço de seda, o fukusa (fucussá), é um instrumento de purificação.É com esse sentido primeiro que deve ser encarado. Só depois, muito depois, se evidencia importante o conhecimento e aprimoramento técnico do seu manuseio.
Manuseamento de fukusa feminino
O chá, macha (mátchá), deve ser purificado com a limpeza pelo fukusa, essencialmente pela fricção ritual feita sobre o receptáculo onde se encontra o referido pó verde... bem como pela limpeza (igualmente ritual e técnica) do chasen (chássém), a "colher" de bambu.
De salientar que, em termos de etiqueta, só as praticantes (mulheres) podem usar o fukusa de qualquer cor, inclusive com vistosos desenhos. Os praticantes masculinos devem usar sempre a cor roxa.
Em rigor, este utensílio cerimonial não deve ser lavado... mas simplesmente sacudido, a fim de se libertar da coloração esverdeada do pó (chá) que a ele adere pela limpeza (purificação) do chasen

Yamada Hisashi, Mestre da Arte do Chá

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A harmonia do caminho...

No universo das artes marciais orientais, nomeadamente nipónicas, o praticante depara-se com diversos caminhos, vias, estilos, de onde provêm os vocábulos michi (mitchi, o mesmo que dô, doo, dou... caminho) e kai (escola, estilo).
Podemos simplificar e, num contexto de análise da tensão corporal, considerar essa miríade de caminhos divididos em duas grandes vias: os estilos líquidos (ou internos) que baseiam toda a prática na descontracção, considerando o corpo humano semelhante à água (mizu)... e os estilos sólidos (ou externos) que usam constantemente técnicas e movimentos bastante contraídos, como se a constituição física do oponente (em combate) devesse ser encarada como uma pedra ou pedaço de madeira.
Lao-Tseu, fundador do Taoismo
Como é típico das abordagens dialécticas (perspectiva Yin-Yang), dificilmente encontramos os exemplos puros expostos, sendo que a maior parte das vezes os estilos não são exclusivamente internos ou externos... mas sim compromissos das duas qualidades. Quando denominamos uma escola por externa ou interna referimo-nos assim à preponderância qualitativa desses factores. Estilos há entretanto em que não é muito fácil qualificá-los quanto à tensão-descontracção, à dureza-flexibilidade, respiração forte ou natural, requerendo tal desiderato uma explicação mais detalhada.
Cada praticante escolherá a sua via, o seu modo de se sentir harmonizado com o todo e sobretudo consigo mesmo. Para isso talvez seja conveniente experimentar várias escolas e manter uma mente aberta.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Sabor do Chá...

O chá usado no ritual Cha-no-Yu é verde mas em pó, com uma textura macia, muito semelhante a pó-de-talco... e, obviamente, a bela coloração verde. O aroma que o macha (mátchá) desprende é mais intenso que o das saquetas de chá verde usadas comummente em sociedade, sendo notório o hálito natural da verdura e do solo donde provém.
Numa demonstração que fiz numa escola básica, junto dos professores, funcionários  e encarregados de educação, um participante exclamou que o chá lhe sabia a palha (...), o que, apesar da moderação e sobriedade comportamental típicas da Cerimónia do Chá, se revelou hilariante para quem o presenciou. Contudo, apreciei a frontalidade e humildade do participante ao extravasar a que lhe parecia saber a beberagem, pelo pendor natural  de que se revestia, e numa experiência em que até já tem havido quem diga que o sabor se parece mais com peixe ou mesmo sopa...
De qualquer modo, é sempre bom interiorizar que, em termos da Arte do Chá (Sadô), o mais importante não é o sabor material da bebida que serve de suporte ao ritual... mas o que tal representa em termos de contentamento interior, de construção dum EU diferente e, sobretudo, da serenidade, relativamente a tudo o que nos rodeie.
Sen-no-Rikyu, nunca é demais recordá-lo, numa atitude de aparente simplicidade e desapego absoluto das interacções sociais, dizia que celebrar o chá, a arte do mesmo, se bastava pela quase fervura da água (Mizu), à qual se juntavam algumas folhas de camellia sinensis... 
Mizu no Kokoro...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Urasenke - Escola Tradicional do Chá


Sen Rikyu disse que "A arte do chá nada mais é que ferver água, fazer a infusão e bebê-la". Esta aparente simplicidade constitui o desafio maior desta arte.

Segundo Genshitsu Sen, Grande Mestre da Urasenke, escola tradicional do Cha-no-Yu, a filosofia da arte do chá, de cariz budista-zen, baseia-se em quatro conceitos, representados pelis caracteres WA (harmonia), KEI (respeito), SEI (pureza) e JAKU (serenidade).
A palavra Zen (deve ler-se Zem) deriva do chinês Chan, relativo  a um tipo de meditação voltada para o vazio e o EU profundo (vide No Caminho Aberto, de Hôgen Daidô) e que influencia significativamente todas as artes tradicionais nipónicas.


Wa
WA
Kei
KEI
Sei
SEI


Jaku
JAKU
                
Chabana (arranjo floral para cerimónia de chá) de Otomodachi