sexta-feira, 3 de junho de 2011

Urasenke - Escola Tradicional do Chá


Sen Rikyu disse que "A arte do chá nada mais é que ferver água, fazer a infusão e bebê-la". Esta aparente simplicidade constitui o desafio maior desta arte.

Segundo Genshitsu Sen, Grande Mestre da Urasenke, escola tradicional do Cha-no-Yu, a filosofia da arte do chá, de cariz budista-zen, baseia-se em quatro conceitos, representados pelis caracteres WA (harmonia), KEI (respeito), SEI (pureza) e JAKU (serenidade).
A palavra Zen (deve ler-se Zem) deriva do chinês Chan, relativo  a um tipo de meditação voltada para o vazio e o EU profundo (vide No Caminho Aberto, de Hôgen Daidô) e que influencia significativamente todas as artes tradicionais nipónicas.


Wa
WA
Kei
KEI
Sei
SEI


Jaku
JAKU
                
Chabana (arranjo floral para cerimónia de chá) de Otomodachi 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Chá... um pouco mais amargo

A Sensei Ômoto disse-me recentemente que lhe parece que a arte do chá não tem saída em Portugal. Daí que esteja a pensar em se deslocar mais para Norte. Essa sua decisão entristeceu-me, obviamente, sobretudo tendo em conta o facto do nosso país ter sido pioneiro, nomeadamente através de De Moraes, na introdução do chá.
Cha, na China... (t)cha no Japão... chá em Portugal... e só depois a própria palavra se foi deturpando, sobretudo com os ingleses, que ainda não aprenderam (e não querem) a dizê-la correctamente... e muito menos a sorver a retemperante bebida, a que atribuiram uma conotação quase inversa à que o mestríssimo Sen-no-Rikyu apontou.
Portugal teve oportunidades diversas, como a de Wenceslaw, para aprimorar o culto da arte, e é de estranhar que uma Sensei japonesa se sinta tão desanimada perante a evolução da prática neste país. 
Curiosamente, eu tenho bons exemplos de aderência à prática do Sadô, através da execução da Cerimónia do Chá (Cha-no-Yu), embora, no meu caso, tal tenha sido feito com um carácter inteiramente gratuito, isto é, nunca levei dinheiro a quem ofereço o chá. Um mestre japonês não se pode dar ao luxo de vir para Portugal ensinar uma arte de graça... e parece-me ser aí que a porca torce o rabo...

sábado, 16 de abril de 2011

A Sílaba Yu... e o ritual.

Após depositar na chawan duas porções de macha, mais precisamente uma porção do chakaku ("colher" de bambu) cheio mais outra porção com cerca de metade do mesmo chá em pó... o executante deve desenhar nesse pó (depositado no fundo da chávena) algo semelhante à sílaba YU, em hiragana. Só depois deve verter água bem quente sobre o mesmo, o quanto baste para um convidado, e seguidamente bater a mistura com o chasen. O último movimento com o batedor, mergulhado ainda na bebida, deve equivaler à silaba hiragana NO (nô).

sábado, 2 de abril de 2011

A Renovação do Chá - Ai-Uchi

Como utensílios fundamentais da cerimónia do chá (cha-no-yu) temos a chávena (chawan) e o batedor (chasen)... o barro e o bambu... em peças únicas, que tacteamos, sentimos, manueamos... e nos habituamos a integrar no nosso ser.
Essa integração acontece no acto de praticar o chá (sadô) como num kata de artes marciais (budô) ou qualquer outra arte imbuída de mente zen...
Na arte do tiro com arco e flecha (kyudô) o objectivo não é acertar no centro do alvo... mas, gradativa e serenamente, fazer a integração do nosso corpo com o arco e a flecha... e daí com o alvo. Quando a flecha finalmente partir irá fundir-se com o alvo, e nós também. É o conceito de Ai-Uchi. Ai poderia traduzir-se literalmente por Amor e Uchi por Casa ou Interior. Ai-Uchi significa fundirmo-nos com o que aparentemente nos é adverso. Só com essa fusão podemos percepcionar e sentir o outro e compreendê-lo... e, nomeadamente, perceber as suas intenções...
O Caminho do Chá é isso... é a compreensão serena do que nos rodeia... e do que nos preenche... àparte  a fantasia competitiva, o vício de nos iludirmos com a vaidade e a arrogância, a falsa modéstia ou a hipocrisia. É um caminho de fusão... mas de serenidade e apreciação da beleza e do conforto das coisas simples.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Caminho - Dô

O homem que não tenha a capacidade de fazer um arranjo com flores ou servir um chá não será capaz de manejar uma espada com o mínimo de mestria.
SO